domingo, 8 de junho de 2014

Closure

Hi there. Remember me? It’s been nine years since the day I lost the last glimpse of innocence my childhood nurtured about love, relationships, honesty and people. I thought about you today – actually, it’s kind of incredible how often I think about you even after all these years; maybe once a month. Don’t get me wrong, I don’t still have feelings for you. And yet it’s weird to think you’ve had, well, still have such a negative impact in my life when you don’t know much about me, except which English school I went to and my name – if that.  You don’t know what I am majoring at in college, what my favorite color is, what was the name of the dog I had as a child, when I got my driver’s license, what my dreams are, my parent’s name. Doesn’t it seem right that the only person who made me feel actual hate should know a little more about my life?
What I think about the most, when the memory of you pops into my head, is that I never got the chance to tell you how I felt after what you did. I was too in shock to say something when the whole thing happened and, when I wrote you that letter, you tore it into pieces. I also think about how I never fully understood your reasons. I know the basic story: young horny bastard tries to get advantage of younger girl in love by lying to her. But every story has specific details from both sides; I just wish I had been able to hear what you would say in your defense or how you would tell this same story.
Can you see there is an entire thought process that happens when I remember you? The next step is when, after all that I described above, I think about closure: if and why it is important for us to truly move on and what really defines it.  As I said, I was never able to tell you everything I wanted to, anything I want to. I can still feel it stuck in my throat. And I wonder: what if I never get to? Does that mean that this will haunt me forever? Am I doomed to carry this trauma with me for life? I am not even sure if it affects how I see myself or how I act when in love and in a relationship - and if it does, I am not sure how. Is what happened with you the reason why I always seem to be attracted by those who eventually will abandon me? Is it the reason I always think it’s my fault when that happens? Is this why I feel undeserving of having a healthy balanced relationship? For the sake of argument let’s say it is. Let’s say that’s why things keeping going wrong in that area of my life. Let’s say that’s why I keep collecting bad love stories without ever getting closure with any of them. Is it possible for me to fix this? Closure can mean so many different things for different people. Some give away whatever last piece of souvenir they have from what happened, some even throw it out or burn it. Some people get to yell at the one who was involved and then leave. Some send a letter or an email that the other person actually ends up reading and maybe even responding. Some even get closure in a more shallow way; by doing everything they can to show the other person that they are better off without them.  Well, I have no souvenir to give, throw or burn away, I have no way of yelling at you, we already know what was the destiny of my letter and I don’t believe the last example would satisfy me even if I had a way to try it. Doesn’t it sound frustrating? How am I ever going to get my closure? Maybe some of us never get closure. I guess some people would tell me to just let go and even to forgive you. Well if it is that easy then tell me how. I am more open to suggestions than I’ve ever been before.

I’ve always been found of philosophical theories that say we are in control of our own happiness, despite of any obstacles that may be thrown on our way. But as so many things in life I guess that’s easier said than done. How do I forgive he who didn’t ask for forgiveness? How do I accept your reasons when I don’t know what they were? How do I keep you from having that much control over my life when you are not even aware of it? If you came this far expecting me to answer anything I am sorry to tell you that - like in life- this is not about answers, but about accepting some hard questions that may never be solved.

sábado, 5 de abril de 2014

La Vie en Rose

Como voam alto, os pensamentos, como é fácil perder-me em minha própria cabeça. Sentada no chão de granito, a água quente queima a minha pele e eu nem sinto nada. O vapor preenche tudo e através dele, mal enxergo embaçada, a imagem de fundo do meu notebook; a Torre Eiffel sobre um céu límpido em Paris. La Vie En Rose toca ao fundo e a voz do Louis Armstrong me acaricia. “Hold me close and hold me fast, the magic spell you cast, this is La vie en rose.” E nesse instante me sinto como uma personagem dentro de um filme do Woody Allen. A única iluminação no momento vem da luz do sol que entra pelo vidro fosco da janela e que cresce gradualmente seguindo o ritmo do saxofone, até refletir nas gotas que escorrem pelo box e vêm de dentro de mim, salgadas pelas lembranças que fazem arder. A lista de músicas segue seu curso e Louis dá lugar à Valentine Song. “You light up the room, and you don’t even know.” Pensava que aos poucos estava me desapegando. Que tola sou; você continua tão presente na minha vida quanto esteve há meses atrás, ainda que tenha ido embora.

Abraço aquela água fervente na esperança de derreter e sumir, enquanto me pergunto se tudo deu errado simplesmente por eu não saber dançar tão devagar. O culpado teria sido o tal pulo que me vangloriei tanto de ter dado tão rapidamente? Pensava estar fazendo a coisa certa ao me entregar tão completamente. Pensava que você ficaria feliz em ver que alguém o queria tanto assim sem nem se questionar. Pensava que eu sabia muito mais sobre tudo isso. “Às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu me esqueço (...) e tudo que eu posso te dar é solidão com vista pro mar. (...) Às vezes eu quero demais e eu nunca sei se eu mereço, os quartos escuros pulsam e pedem por nós.” Este quarto escuro pede por você, ainda que você tenha vindo aqui apenas uma vez eu olho à minha volta e só me lembro dele contigo dentro. Como se ele nunca houvesse existido antes, como se nem mesmo agora existisse. E eu não sei mais se eu mesma sequer existo. Johnny Cash aparece e me diz que eu pareço tão sozinha. Pergunto a ele se você ainda pensa em mim. And I still love you with a love that won’t die. Você não consegue ver? Meu pensamento voando aí sempre tão perto de você? Em cada referência, em cada personagem, história, diversão que aproveitamos ou admiramos juntos? Não vê que estou por perto cada vez que algo real entra na sua frente e você não consegue se desvencilhar? Talvez tenha sido esse o problema, talvez eu tenha sido real demais para alguém que busca se alimentar exclusivamente de ilusões.

domingo, 30 de março de 2014

Devaneio

É como se nós nunca tivéssemos acontecido. Procuro em meus pensamentos nossas lembranças e as vejo cada vez mais apagadas. Tento lembrar-me do teu rosto sem precisar do auxílio de tuas imagens e cada vez mais te tornas um homem sem face em minha frente. Um homem sem olhos a me encarar. Já não sei mais a que me apego, de tão distante que estamos. O desejo vai sumindo pelas beiradas, e por mais intenso que tudo o que passamos juntos tenha sido, a extinção chega cada vez mais perto do centro. Essa sou eu desistindo. Não disseste nada, não sentiste nada. Essa sou eu desistindo de algo que nunca existiu. Porque a cada dia me pergunto mais e mais se não foi tudo fruto da minha mente. Resultado de alguma carência. Sonhos causados por noites insones em que, no calor, sentia-me morrer de frio. Apenas um quadro que pintei sozinha, um retrato perfeito de tudo que sempre esperei em alguém. E não há registros nossos que me mostrem o contrário. Foste tudo o que eu sempre quis. Não foste tudo o que eu sempre quis. E sinto a ilusão escorrer-me pelos dedos. Há pouco tempo me encontrava perambulando em abstinência e tive a visão de um oásis. No deserto gélido pensei ter te encontrado cálido a me aliviar. Mais uma das minhas visões que agora se acumulam no meu esconderijo de negações. Pensando agora em como tudo aconteceu, lembro-me que tentaste me avisar. Como quando estamos em um sonho ou pesadelo e um dos personagens nos alerta, com algum gesto ou palavras sutis, de que aquilo não é real. Eu deveria ter te escutado, mas nem chegaste a existir.  Tão estranho e dolorido ter de reaprender a viver sem algo que nunca tive.

segunda-feira, 17 de março de 2014

A Volta Para Casa

Fora uma segunda-feira plena. Do amanhecer, ao acordar atrasada para a faculdade e ter de se arrumar às pressas, sem ter dormido tão bem por ter sido acordada com um susto no meio da noite pelos seus medos e inseguranças. Ao fim do dia, na volta pra casa, sentada de forma desconfortável e espremida na fileira final do ônibus, último lugar que havia sobrado quando ela entrou. Ela pensava, pois era só o que restava a fazer naquele momento. Não havia a voz do professor ou o peso do trabalho a distraí-la e não conseguia evitar que seus pensamentos corressem soltos como uma manada por cima de sua cabeça. Tentava espairecer, percebendo pequenos detalhes. Como o reflexo da luz dos carros no cano que se usa para se segurar e que atravessa o teto do ônibus. Eram pequenos pontos de luz a correr pelo cilindro de metal, pintado de amarelo, de forma a parecer que era por ali mesmo que andavam e não pela rua. No entanto, eram apenas reflexos, ilusões. E ela sabia disso mais do que ninguém. Devaneava e buscava entreter-se, mas acabava voltando para o mesmo desconfortável lugar em sua mente. Olhava para o cano e sua vontade era de agarrar-se a ele com força, indo para onde quer que o veículo controlado por outrem fosse. Porém temia que se assim o fizesse, o peso de sua vida, com desejos não cumpridos, saudades ainda latejantes e histórias inacabadas, acabaria por arrebentá-lo.



" All I can say is that my life is pretty plain
I like watchin' the puddles gather rain
And all I can do is just pour some tea for two
And speak my point of view
But it's not sane, It's not sane"
(No Rain - Blind Melon)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Escalar

“Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira.” Cecília Meireles

           Frase batida e clichê. Mas nem por isso deixa de ser uma das minhas favoritas. O fato de muitas pessoas a repetirem de forma um tanto cansativa, não faz com que muitas realmente a compreendam ou a apliquem. Para mim, uma das coisas mais bonitas que uma pessoa pode fazer é se entregar de verdade, deixar-se completamente vulnerável. O riscos disso podem ser grandes, mas apenas se você não souber se reconstituir caso precise. Quantas vezes não ouvi que a solução para os meus problemas era deixar de me doar tão inteiramente, tão intensamente? Mas viver assim, pela metade, seja em qual tipo de relacionamento for, para mim, é trair a própria vida. Quando o maior sentido que pude atribuir ao simples fato de existir é apenas o sentir, seja qual sentimento for; deixar de fazê-lo, para mim, é deixar também de existir.

           Acredito ainda no poder da repetição para fazer com que algo se torne verdade. Desde criança gosto dessa frase e a escrevo para mim mesma ocasionalmente. Desde que me entendo por gente repito que sou forte e que aguento qualquer coisa. Hoje sei que essa espécie de “mantra” foi o fio que me segurou nos piores momentos da minha vida. Estou atualmente num desses processos de me reconstruir, e sei que é grande a tentação em aproveitar o momento para construir também muros, mas não o farei. É duro forçar essa perspectiva agora, enquanto ainda estou na metade do procedimento, no entanto sei que poderei futuramente me entregar mais uma vez. E mesmo sabendo que com isso vem também, é claro, a possibilidade de me destruir de novo, sei que vale a pena. Dessa vez em especial percebi algo que não havia notado ainda. Ao analisar todas as vezes em que me joguei assim, em que me doei, percebo uma certa progressão na intensidade e beleza de cada relacionamento e no que retiro de cada um. A cada vez gosto mais do processo de pular naquela oportunidade e a cada vez descubro algo diferente, um sentimento diferente que eu não sabia ser capaz de sentir, que eu sequer sabia que existia. Sim, eu sou uma pessoa forte não apesar de me doar tanto, mas justamente por isso, e jamais deixarei de ser assim.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O Quadro

Senti o leve roçar das cerdas do pincel me fazendo cócegas. Era uma manhã de sábado incomumente ensolarada e ela me olhava concentrada enquanto eu sentia o calor da luz do sol que entrava pela janela. Ela não costumava estar acordada em uma hora como aquela, mas havia sonhado comigo e precisou urgentemente se levantar e vir me ver. Normalmente ela passava um bom tempo falando na minha frente com o pincel na mão, bradando-o como um maestro, porém dessa vez eu podia ver que havia algo diferente. Ela ainda estava vestida com a camisa do The Smiths com a qual eu a vi saindo na noite anterior e a cada frase ela derramava mais e mais lágrimas. “Tudo termina onde começa” ela dizia entre uma gota e outra. Percebi nesse momento que ela começou a me mudar, antes eu era feliz e suave, com cores alegres, agora ela começara a sujar o pincel com cores mais escuras e a dar pinceladas mais bruscas. Pincel, gota, palavra, pincel, gota, palavra, que ritmo triste ela havia formado. Ah que diferença do dia em que ela me começou. Lembro-me ainda que ela havia vestido uma camisa do Guns, com um propósito especial brilhando no canto dos olhos e no sorriso esperançoso. Naquele dia algo havia começado e ela estava mais feliz do que nunca. Agora ela me terminava, e eu que achava que iria ficar para sempre livre naquele lugar perto da janela, via-me de repente emoldurado, preso e prostrado em cima de sua cama, para que ela jamais esquecesse. Começou com Guns e terminou com The Smiths, como havia de ser.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

I am yours now

            O conceito de afinidade sempre me intrigou, sabe? Lembro-me de passar horas tentando entender o que faziam duas pessoas se sentirem tão próximas e ainda hoje não compreendo. Considerei a semelhança de gostos, mas eu recordo das vezes em que você me revelou algumas preferências suas (antigas ou atuais) que são completamente diferentes das minhas próprias e isso não me afastou de você, pelo contrário. Pensei na afinidade pela semelhança no que gostamos de fazer, mas novamente me vi não ligando para as nossas diferenças nesse ponto. Talvez fosse afinidade de princípios. Tá ai! Pude ver até agora que temos os mesmos princípios. Mas certamente falta algo nessa “explicação”. Ainda que princípios estejam tão arraigados em nossas personalidades, não parece ser uma explicação satisfatória. Não seria apenas isso que criaria esses avestruzes, não é? Por que seriam apenas eles os responsáveis por tantas contrariedades; o conforto natural e o nervosismo do novo que me cobrem por completo quando você está aqui.

            Quão efêmero seria gostar de você apenas por aspectos da sua personalidade que podem mudar eventualmente? Quão simplório é procurar explicação em gostos e hobbies? Prefiro explicar essa coisa toda no instinto. Uma vez na vida meu faro havia de funcionar. Senti no toque a sua essência. Percebi na tranquilidade, na segurança, que me dá quando você me olha. Como mais poderíamos ter conversas tão reveladoras desde o começo? Mesmo não sendo alguém de ter muitos segredos, acho que nunca mostrei tanto sem ao menos perceber. Nunca tive tão pouco medo de soar clichê. Não estou livre de ter medos e vergonhas (o nervosismo do novo), mas pela primeira vez posso expô-los, sabendo que você consegue sumir com eles em pouco tempo (o conforto natural). Aliás, você me faz entender como o tempo pode ser algo tão relativo, sete horas, sete minutos, qual é a diferença? A sua presença. Eu vou continuar aqui deitada, o braço não formiga, a perna não dói, não preciso me mexer para me ajeitar, está tão bom assim.

"See what I've done
That bridge is on fire
Back to where I've been
I'm froze by desire
No need to leave"

domingo, 22 de dezembro de 2013

O pulo

Houve apenas uma outra vez em que senti que estava diante de algo incrível, sem fazer ideia do que seria. Naquele dia, quando parti sem olhar para trás e me vi em um lugar completamente novo, uma imensidão vazia pronta para mim. Aquela imensidão não poderia me olhar de volta e reagir; não poderia sentir nada por mim. Seria apenas eu, sozinha, fazendo dela o que eu quisesse, o que eu pudesse. Alone again, naturally.

                Aquela imensidão pode ter feito muitas coisas por mim, mas não me tirou do meu estado inerte. Retornei e trouxe comigo de volta a mesma garota patética, inacabada e cheia de dúvidas que saiu por ai se auto flagelando, buscando sentir alguma coisa. Estranhamente aquela imensidão que deixei para trás, sentindo ter sido esse abandono o maior erro da minha vida, tornou-se repentinamente insignificante. Em algum momento depois que o conheci, o desconhecido tornou-se parte da minha vida. É um desconhecido tão familiar, que me observa de volta. O desconhecido que me toca e nesse simples gesto muda tudo. Eu já havia escrito sobre esse sentimento, antes mesmo de conhecê-lo. Lembro-me da vez em que descrevi como era sentir a certeza em um risco, sentir o certo ao pular no abismo. Nenhum de nós compreende tudo isso, não é? Você também se surpreendeu, como eu. E ainda que surpresa assim, pela primeira vez não busquei respostas, não senti a angústia de não saber o porque. Pela primeira vez só aproveito o agora e busco o futuro, só busco você nessas noites em que me deito, ainda sentindo seu olhar em mim, e fecho meus olhos com um sorriso bobo no rosto.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A importância de um significado


Não sei ao certo a origem do meu nome, já a pesquisei algumas vezes e achei respostas distintas, certamente se eu procurasse mais acharia algo concreto sobre isso, porém até hoje não me dei a esse trabalho. Uma coisa que nunca variou em minhas pesquisas foi o significado do nome: Érica significa sempre poderosa. Antigamente eu me orgulhava muito disso, achava linda a frase “sempre poderosa”, enchia a boca para falar, soava toda pomposa e cheia de mim. Até me envergonho em dizer que uma vez comprei um chaveiro em que vinha escrito todo o significado do meu nome. A ingenuidade da juventude me fez iludida, onde havia uma maldição eu via uma benção. Sempre me julguei forte e indestrutível mesmo quando algo me abalava profundamente, tentava sempre pensar no depois e em como aquilo passaria e não teria mais tanta importância com o tempo.
Esse método até que funcionou por um período, quando eu ainda acreditava que tinha muitos e muitos anos pela frente e mil chances de mudar tudo, mas hoje vejo como é tão óbvio que ele estava fadado a falhar um dia. Quem seria capaz de ser sempre poderosa? Aliás, quem seria feliz assim? Carreguei e ainda carrego essa frase sobre os ombros, e ela pesa, como pesa. Imagine viver pensando que mais do que qualquer outra pessoa você não deve errar nunca, que qualquer erro seu seria infinitamente pior do que o erro de outra pessoa. Imagine ter medo de fazer qualquer coisa, de arriscar, justamente por achar que eu não tenho o direito de me equivocar.
Ao mesmo tempo sempre tive essa voz dentro de mim, que me mandava seguir meus sonhos, pular do barco; seguir a nado sozinha pelo o oceano vasto sem um sinal de qual seria a direção certa. Uma voz que me mandava parar de pensar tanto e fazer as coisas que eu queria. Essa voz representava a criança que eu um dia fui, antes de saber do outro mundo, o que existia fora da minha cabeça, antes de saber dos significados de nomes e das exigências das pessoas. Eu era livre de mente, porém presa e limitada fisicamente pelo simples fato de ser criança. Dessa liberdade ficou a voz, sempre me acariciando e me mandando ser feliz apesar de tudo, esquecer as regras e as críticas e apenas ser. A voz e a frase entram em conflito cada vez mais e já mal consigo distinguir o que é fala de uma e o que é fala de outra, tudo se mistura e me perco de mim mesma, já não sei mais quem eu sou, onde estou, para onde devo ir.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Internet imprevisível, gerações e frustração


Acho engraçado perceber como a internet é, como li em um texto da minha aula de antropologia, bastante imprevisível. Um clique em um link leva a outro assunto que leva a outro completamente diferente que te faz ver algo interessante e assim por diante. Esses dias estava olhando meu Facebook e vi um vídeo com o trailer de um filme muito interessante estrelando a cantora Clarice Falcão. Alguns dias antes já havia visto essa mesma cantora em um canal que sempre assinto no Youtube chamado Rolê Gourmet e tinha simpatizado com a moça, o que me fez ter interesse em clicar para ver o trailer e depois me fez procurar  suas músicas (não conhecia nada dela). Esse vídeo, que coloco a seguir junto com o video do Rolê Gourmet, me fez pensar muito sobre a nossa geração; qual seria um denominador comum entre ela e outras gerações passadas e quais são as características especificas da nossa.


            

Frustração deveria ser a palavra do século. Creio que quando estavam escrevendo a história pararam nos anos noventa e pensaram assim: “Ah, acho que seria interessante se o próximo século, não, o próximo milênio fosse comandado por gerações de jovens frustrados... Sim! Essa leva de gerações começará agora! Brilhante!” Ok, eu sei que estou exagerando. Estou ciente de que a minha geração não é a primeira a se sentir assim; sei que a frustração é na verdade uma grande parte do processo de se tornar adulto. Mas cada geração de frustrados teve sua peculiaridade. Também sei que, por maior que seja nossa capacidade de ter empatia, sempre seremos mais afetados pelos nossos próprios problemas, claro; quisera eu ser daltônica ao olhar para o vizinho.
Do meu ponto de vista, os meus antepassados frustrados e jovens pareciam ter ao menos uma união maior, um espírito de contracultura que os juntava de uma forma mais bela. Mesmo os hippies, sob o meu olhar nada imparcial, pareciam ser uma “bagunça estruturada”, um despropósito com mais objetivo do que vejo hoje. Sei que esse meu pensamento pode ser apenas uma ilusão histórica, uma idealização do passado, mas saber disso não ameniza minha frustração. Estranhamente me sinto tão parte e tão aparte da minha geração.  Essa alienação, palavra de ordem nesse momento em que a facilidade de adquirir informação e a de ignorá-la é proporcionalmente igual, tanto me enoja quanto me seduz. Aprendi desde cedo que quem não tem dinheiro não é gente, quem não vê novela é prepotente, quem não bebe cerveja é chato e quem não compra tecnologia de ponta (e de marca) é reacionário. Simultaneamente aprendi a respeitar as diferenças, a reciclar, a ser feliz, a não ter medo de ser triste, a ir ao terapeuta, a resolver meus problemas sozinha.
Creio que parte dessa frustração da juventude atual vem dos opostos tão mesclados em que fomos criados, ao menos a minha é. Devo ser a certinha e a errada, a perfeita e a delinquente, devo seguir meus sonhos e buscar estabilidade, ser supermãe e me focar no trabalho, me conformar e lutar. Apenas isso, nada a mais, nada a menos. Somos a geração da indecisão, da contradição, somos a geração inexata em que devemos se tudo e nada. O resultado disso? Como diz o nome de um filme brasileiro recente cujo trailer muito me interessou: “Eu não faço idéia do que eu tô fazendo com a minha vida.”
Para finalizar deixo um video com uma música da Clarice Falcão que gostei muito: